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Vítimas
do Júri de seleção
No
passado, Portinari, ontem lnocencio Borguese, hoje Augusto Mendes,
Heitor Carrilo, Loris Folgiatto... amanhã pode ser você.
Abaixo a censura, júri de seleção nunca mais.
Uma recusa em salão de Arte para jovens artistas que estão
começando não atrapalha suas carreiras. O quadro Baile
de Roças, de Portinari, recusado no Salão Paulista
de Belas Artes, e que o autor destruiu, dele só temos a foto,
não impediu seu sucesso e que seu nome fosse conhecido internacionalmente.
Recusar artistas que dedicaram toda a sua vida à pintura,
e tiveram o reconhecimento de seu talento sendo portadores de medalhas
de Salões Paulistas de Belas Artes anteriores, e se inscrevem
no Salão tentando a conquista de prêmios mais altos
e são censurados não podendo mostrar ao seu público
o seu trabalho atual, analisando pelo lado sentimental, é
de estarrecer, causar tão grande decepção aos
velhos mestres, uma falta de caridade e de respeito ao artista e
ao ser humano. Numa hora da sua vida que é muito difícil
superar esse golpe, e pelo lado prático e concreto depõe
contra o Salão, afastando dele os artistas já consagrados,
e fica provado que essa figura num Salão moderno é
ancrônica, e em pleno ano 2000, burrice.
Um Salão precisa de local adequado, público, obras
de arte e artistas, organização perfeita, divulgação
em todos os meios de comunicação, imprensa falada,
escrita, na televisão e Internet, e principalmente num Salão
de arte não pode faltar muito respeito ao ser humano. A injustiça
feita no 51º Salão Paulista de Belas Artes deve convencer
a todos os artistas plásticos da necessidade de acabar com
o júri de seleção, para realmente o Salão
desempenhar a sua função que é ajudar ao artista
plástico encontrar o seu público usufruindo da infra-estrutura
de um órgão público. Uma vez que é o
artista que usa o Salão, nada mais justo que ele pague uma
taxa de inscrição e esta lhe dê o direito de
expor seus trabalhos inscritos sem seleção. Não
é justo que toda a população pague por um serviço
que só o artista esta usando e ele não deve pagar
a taxa sem gozar dos benefícios, como acontece quando existe
júri de seleção, isso é imoral.
A Secretaria da Cultura, mantém prédios, e pessoal
à sua disposição, sendo portanto para ela a
realização de um Salão, trabalho de rotina.
É preciso que haja humildade e os responsáveis pelas
exposições não queiram fazer mais do que mostrar
as obras. A montagem quanto mais objetiva e simples melhor. Geralmente
o mal é que na maioria das vezes quem cuida da organização
e montagem de exposições de arte, não entende
do assunto e não gosta das obras, e assim na tentativa de
tomar atraente algo insosso começa inventar e ai é
um desastre. O importante no Salão é o artista, é
ele que deve aparecer e não os coadjuvantes.
Aos artistas recusados em todos os Salões rendo minhas homenagens,
e espero que esta seja a última vez que essa desgraça
acontece a um artista plástico. A única solução
para acabar com 90% dos problemas dos Salões de arte é
abolir de vez com o júri de seleção ou com
o Salão. A escolha é dos artistas. Censura, nunca
mais.Viva
a Liberdade. Cabresto jamais! A maior conquista do artista moderno
foi liberdade de expressão e no ano 2000 não pode
haver retrocesso.
Maria
Giika, paulistana, é artista plástica e proprietária
da Fazenda Santa Luzia, em Amparo.
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